O que é a Ku Klux klan

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Começou como uma brincadeira. Em 1865, 6 jovens da cidadezinha americana de Pulaski, Tennessee, resolveram espantar o tédio de um jeito diferente: fundar uma microssociedade secreta, tipo uma maçonaria particular. Bem-humorados, decidiram que os membros receberiam títulos engraçados. Então o chefe seria o “Cíclope Máximo”; o secretário, o “Grande Escriba”. E por aí vai. O nome da irmandade precisaria ser algo indecifrável, imaginavam. Um deles sugeriu a palavra grega kyklos – que quer dizer círculo (de amigos, no caso). Outro achou que isso cairia bem com a palavra clã. E ficou Ku Klux Klan. A curtição deles era cavalgar à noite, incógnitos sob lençóis e fronhas brancas, para desconcertar os vizinhos. Nada demais. Só que aí a sociedade de brincadeira foi juntando cada vez mais membros. E a coisa degringolou. O movimento racista estava no auge, já que os escravos acabavam de ser libertados pelos vencedores da Guerra Civil Americana, os estados do Norte. E as cavalgadas noturnas viraram perseguições a negros. Em um ano a Klan já tinha virado uma organização assassina. Presente em vários estados, tinha ex-generais sulistas entre os cabeças e contava com o financiamento de agricultores, prejudicados pela alforria. Depois de inúmeros linchamentos, estupros, castrações, incêndios e enforcamentos, a Klan finalmente foi reconhecida como uma entidade terrorista e acabou banida pelo governo americano em 1872. Voltaria em 1915, mas foi perdendo prestígio ao longo do século 20. Hoje, ela tem uns 3 mil membros, que se dedicam a distribuir panfletos racistas. Ah, claro: é apenas um entre os mais de 700 grupos dedicados ao ódio em atividade nos EUA.

 

Terror virtual

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Houve mais linchamentos de negros nos EUA quando a Klan estava proibida do que quando ela voltou em 1915. Foram cerca de 2 mil entre 1890 e 1909; e “só” 400 entre 1920 e 1939. É que a imagem da KKK já metia tanto medo que eles nem precisavam agir muito para deixar a população negra aterrorizada.

 

Ave, César

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A saudação tradicional da KKK parece a dos nazistas. Mas é só coincidência: as duas têm origem romana. Mas não é por acaso que a Klan tenha se associado a grupos neonazistas dos EUA. Hoje eles também são contra judeus, árabes, hispânicos…

 

Com que roupa eu vou?

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Hoje há pouca unidade na Klan, e o poder, na prática, é descentralizado. O que resiste são os modelitos feitos para destacar as hierarquias mais altas da massa de lençóis brancos: o manda-chuva local veste vermelho; a polícia secreta, preto.

 

Nonsense

A Klan tradicional louvava a Deus e ao Diabo. Hoje os membros se dizem “cristãos brancos”. Mesmo assim, o nome de seu livro sagrado faz uma alusão ao Alcorão, islâmico. É o Kloran (ou “Klorão”).

Nação fantasma

A bandeira dos 13 estados separatistas do Sul virou símbolo racista. É reverenciada pela Klan, e por mais gente do que se imagina: em 2001, um plebiscito apontou 65% de votos pela manutenção dela como bandeira do estado do Mississippi.

 

A vida imita a arte

O cineasta D.W. Griffith enche a bola da KKK na superprodução O Nascimento de uma Nação (1915), que pinta a Klan como um grupo de nobres cavaleiros que salvaram o Sul dos EUA da “anarquia negra”. Turbinada pelo sucesso do filme, a organização voltou na hora à ativa, após 43 anos de ostracismo.

 – Referencias ao Ku Klux Klan e ao filme “O Nascimento de uma Nação”

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Nesta cena, Forrest explica a origem de seu nome de forma bem ingênua. Ele explica que seu nome veio do general Nathan Bedoford Forrest, que teria criado um “clube” chamado Ku Klux Klan. Bem, isso realmente aconteceu, mas o Ku Klux Klan não era um clube de pessoas que gostavam de por panos na cabeça, como imaginava Forrest.

NathanBedfordForrestNathan Bedfor Forrest – Um dos mais famosos lideres da Klan

Podemos ver também que há algum tipo de edição com o rosto do Tom Hanks em imagens de algum filme bem antigo. Esse filme se chama “O Nascimento de uma nação” e foi lançado em 1915, na era do cinema mudo. Tal película, apesar de seu forte teor racista e de ter causado sentimento de repulsa mesmo na sua época, continua sendo analisado e estudado até os dias de hoje. É considerado o primeiro épico histórico do cinema, tratando de questões desde a chegada dos escravos a América, passando pela Guerra Civil e culminando na ascensão do Ku Klux Klan, organização racista surgida em 1865. Por ironia, no andamento do filme, Forrest conheceria um negro chamado Bubba, e que se tornaria seu melhor amigo.

Forrest finaliza a cena dizendo as seguintes palavras: “Minha mãe me disse que o nome Forrest era pra me lembrar que as vezes fazemos coisas que não fazem sentido”.

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